sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Natal

(Dezembro de 2000)

Chegou o natal.
Junto veio a alegria.
Alegria que nos faz pensar,
Esquecer o dia-a-dia.

Que não façamos esse ano
Um natal comum.
Que sejamos menos tristes,
Mais felizes, um a um.

Natal não é um dia.
É um estado de espírito,
Que nos traz linda magia.

Esqueçamos o que é material,
Lembremos do mito.
Chegou o natal.


:-)

domingo, 5 de dezembro de 2010

Auto de Natal - Outro Natal

Texto de teatro escrito em conjunto com Cristina Papa para apresentação durante o Natal de 2007 pelo curso Técnico Ator 2007/2008 do SENAC Araraquara/SP, sob supervisão do professor Carlos Fonseca.


Download do texto em PDF: Outro Natal - Junior Martinez.pdf





:-)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Voar

(Agosto de 2000)

O céu azul é lindo,
E os pássaros voando mais ainda.
A liberdade deles está no céu,
Mas nas mãos do homem finda.

Sem o homem por perto
Os pássaros têm tudo o que querem.
Um imenso céu aberto,
Para nele livres serem.

Às vezes prefiro trocar
Toda minha racionalidade,
Pelo direito de voar.

Voar como um pássaro voa.
Na mais total liberdade.
Voar para sempre, voar à toa.


:-)

Quem não gosta?

(23 de maio de 2000)

Meu negro amigo.
Me desperta pra vida
Todo santo dia.

Meu doce amigo.
Se estou caindo,
Me dá energia.

Vem do verde.
Vem da roça.
Vem da plantação.

Vem para mim,
Trazendo força,
Trazendo emoção.

Veio para o Brasil.
Aqui cresceu,
Aqui caiu.

É arrancado,
É moído,
É ensacado.
É coitado,
É sofrido,
É amado.

Adoeceu:
É desprezado.
Sobreviveu:
É respeitado.

Satisfaz o Brasil toda manhã,
E durante o dia vem distrair.
No nascer-do-sol, é um galã,
No por-do-sol, parece não existir.

Sei que é pouco o que vem aqui poetizado.
Precisaria de mais linhas para defini-lo como é.
Não há quem negue a importância do coado.
Pois quem não gosta, de nosso querido café?


;-)

Saco Cheio

(Dezembro de 1999)

A vida está uma porcaria?
Eu sei.
Sei também que a culpa é nossa.
Faz tempo que não temos alegria?
Também sei.
E a culpa também é nossa.
O amor ultimamente está mal?
É. Supunha.
Imagino que seja culpa sua.
Todos os dias o sofrimento é igual?
Eu tenho certeza.
Será minha culpa? Não é sua.
Ah! O que fazer então?
Amar ou não amar? Eis a questão!
Está tudo errado?
Eu sei...
Também sei...
Já imaginava...
Está bem...
É claro... Argh!!!
Cansei.

Não agüento mais.
Não quero ser incomodado.
Desmarque todos meus compromissos.
Agora vou ser desligado.

Estou de saco cheio.

:-]

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Romão e Jucinéia

(Dezembro de 1999)

“Estou aqui para descrever
Um caso que assisti.
História bela de saber,
Quem quiser pode me ouvir.”

Num lugar já desconhecido
As pessoas tinham problemas.
Na guerra quase vencidos,
A vida longe de ser amena.
Seu rei sem soluções,
No reino só desilusões.

Havia um jovem solitário,
Que bondade tinha farta.
De grande poder imaginário,
Muito famoso de mata.
Com grande força e valentia,
De ir pra guerra esperava o dia.

Morava com seu pai João,
Sua mãe Maria e sua irmã Josefa.
Seu nome era Romão,
Habilidoso em muitas tarefas.
De dia trabalhava duro.
E a noite admirava o escuro.

Havia também Jucinéia,
A garota mais bela da região.
Os homens por ela tinham muitas idéias,
Porém era pura de corpo e coração.
Era uma donzela muito cuidadosa,
Cheia de problemas, porém bondosa.

Também morava com seus pais,
Dos velhinhos cuidava com muito amor.
Separar-se deles não pensava jamais.
Só tinha eles de bom, o resto era só dor.
Preocupava-se com a saúde deles.
Mas não imaginava que sintomas eram aqueles.

Os dois nunca haviam se encontrado.
Mas sempre há uma primeira vez.
Num dia de festa no povoado
Seus olhos se viram com lucidez.
Um calafrio sentiram no mesmo instante,
Algo que nunca haviam sentido antes.

Irineu, amigo de Romão,
Percebeu o sentimento que estava a desabrochar.
Logo viu que era coisa do coração,
E falou: “Amigo, você aprendeu a amar.
Já está na sua hora de descobrir esse sentimento,
Vá falar com ela para não haver arrependimento”.

Romão não sabia o que fazer,
Mas, como por instinto, foi à moça lhe falar:
“Senhorita! Desde que cheguei olho para você.
Assim descobri o que é amar.
Sei que você me entende, pois em sua expressão eu vi,
Sentimos os dois algo que eu nunca senti.”

“Cavalheiro, você tem toda razão.
Vendo-te hoje algo em mim aconteceu.
Algo novo em meu coração,
Algo que o destino um dia escreveu.
Fomos feitos um para o outro com certeza.
Um laço de amor feito pela mãe natureza.”

Passaram o resto da festa conversando.
No salão de dança estavam sentados.
Aos poucos as pessoas foram observando,
O jovem casal apaixonado.
Comentários de toda parte surgiram,
Mas para os dois, eles nunca existiram.

O tempo se passou,
E os dois já estavam casados.
Até que Jucinéia um dia encontrou,
Seus pais mortos na cama deitados.
De velhice os velhos morreram,
Mas em seu coração eles nunca faleceram.

Ficou muito triste com o acontecido,
Por sorte tinha Romão que a consolava.
Até que com o tempo havia compreendido
A ausência dos pais que tanto amava.
Ela sabia que sem o amor que por Romão sentia,
À perda de seus pais ela não sobreviveria.

Novamente felizes estavam vivendo,
Quando chegou o dia de Romão ir á guerra.
Maus pressentimentos ela estava tendo,
E juraram que aquele amor jamais sairia da terra.
Porém um fato cruel aconteceu,
Na guerra Romão morreu.

Jucinéia ficou sabendo da morte de seu amado
No mesmo instante que descobriu sua gravidez.
Seus pensamentos ficaram atordoados,
Mas seu amor lhe trouxe de volta a lucidez.
Ela só queria que ao filho o pai conhecesse.
No seu coração sentia como se o pai já soubesse.

No dia em que seu filho nasceu,
Ela foi até o túmulo de seu amado.
Foi só então que percebeu,
Que o juramento não estava acabado.
O juramento que o casal fizera um dia.
Juraram que o amor deles da terra jamais sairia.

“Aqui Romão, está a prova de nosso juramento.
Feliz do dia que te conheci com o coração.
Feliz eu sou desde aquele momento.
Aqui está o resultado dessa união.
Não se preocupe, nosso juramento não irá acabar,
Seu filho Ágape ensinará o mundo a amar.”

Essa era a estória que eu tinha a descrever.
Não vou obrigar ninguém a acreditar.
Mas em uma coisa vocês têm de crer:
“Quem ama de verdade, com Ágape aprendeu a amar.”


;-)

Dane-se

(Dezembro de 1999)

Hoje muitas pessoas nasceram
E outras tantas morreram
Agora tem gente morrendo
Só que não me conheceram

Hoje tem os desempregados
Com certeza hoje estão procurando
Aquele emprego tão esperado
Só uns poucos estão encontrando

E os mendigos?

Será que hoje estão mendigando?
Com certeza estão
Duvido que algo estejam ganhando

Tem também os doentes

Os hospitais estão umas bostas
Lá se entra com dor de cabeça
E se sai com problemas nas costas

Agora me lembrei dos presos

Até merecem estar onde estão agora
Muitos morrem lá mesmo
E os que não morrem ficam pior ao ir embora

Sem falar dos meninos de rua

São como mendigos juvenis
Que da mesma forma tentam viver
De uma maneira nada feliz

Nossa! Não acaba mais essa lista

Minha paciência está vencida
E esse povo está cada vez pior
Sem-terra, sem-teto, sem-amor, sem-vida

O gozado é que ninguém sabe de onde vem

Tanta coisa ruim e sofrimento
Este mundo não é o mesmo
Mudou totalmente, sem meu consentimento

Como pode isso?

Não consigo achar nada de bom
Será possível nada certo encontrar
Queria, pelos menos, revidar em mesmo tom

E nem direito de escolha temos

Não podemos viver noutro mundo senão esse
Ahh! Cansei de ficar preocupado a toa
Quero que todos e tudo... Dane-se!


;-)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Passeio Ciclístico

(03 de março de 2002 - baseado em fatos reais)



Era uma tarde de domingo como outra qualquer. Eu iria passar esse dia como passei muitos outros. Acordar tarde, comer qualquer coisa, ver um pouco de Faustão ou Gugu, ir dormir e dormir. Mas antes de ligar a televisão pintou outro programa. Minha tia (apenas um mês e seis dias mais velha que eu) propusera um passeio de bicicleta. Ela tem a dela, e eu estava com a bicicleta de meu irmão, que ficaria comigo por uns tempos. Tudo bem. "Vamos para o tal passeio. Onde?" Foi a indagação que surgiu. Minha tia sugeriu que fôssemos até o Parque Villa-Lobos, que não era tão longe, estávamos na Rua Fidalga, na Vila Madalena em São Paulo. Eu quase aceitei, mas relutei, e sugeri que fôssemos até o Jóquei Clube, o qual também não estava tão longe. Muito bem, depois de alguns minutos de discussão, consegui convencê-la de irmos ao Jóquei, ela gostara da idéia de atravessarmos a ponte sobre o rio Pinheiros.

Saímos da Rua Fidalga, entramos na Fradique Coutinho, seguindo em direção à Rebouças. Nesse trecho estávamos um pouco receosos quanto ao trânsito; principalmente eu, que não tinha o costume de andar de bicicleta pela cidade, ainda mais em local de trânsito intenso. Quando chegamos na Rebouças o receio já não era tão grande, talvez porque agora íamos pela calçada ou porque carros só haviam uns poucos passando naquele horário. Fomos até a ponte andando livremente, mas com cuidado. Atravessamos a ponte (no local há duas, fomos pela mais baixa). Confesso que a adrenalina subiu nesse trecho. Víamos o rio lá em baixo. Sujo, mas estava lá. A altura, a paisagem, a calçada estreita por onde tínhamos que passar, e dividir caminho com os poucos pedestres, tudo era diferente naquele dia. Do outro lado da ponte, um sentimento de vitória. Um sentimento de conquista.

Passada a ponte e o sentimento de vitória chegamos até a rua que nos levaria ao Jóquei Clube. Não me lembro do nome dessa rua, mas explico: logo após a ponte há um prédio bem alto do lado esquerdo no sentido em que vínhamos. Após esse prédio, a primeira rua a esquerda é a que estou falando. Pois bem, entramos na tal rua, e atravessamos para seu lado esquerdo, logo após a passagem subterrânea que há nela na mesma direção. Desse lado a rua estava totalmente deserta, e ainda havia uma calçada bem larga, por onde decidimos passar. Eu estava indo na frente, vendo a rua e a larga calçada vazias resolvi "acelerar" um pouco mais. Pedalei mais forte e tomei a dianteira. Andado uns 100 metros a uns 20 Km/h eu tirei as duas mãos do guidão, confiando em minha vasta experiência com bicicletas. Sem as mãos eu olhei para trás, para ver aonde vinha minha tia, nesse segundo apareceu um buraco e VAPT!!! O pneu dianteiro caindo no buraco virou totalmente e eu perdi o equilíbrio. Fui lançado ao chão, caindo com o queixo e o joelho direito naquela calçada áspera. Foi tudo muito rápido. Não tive tempo nem de assimilar o que estava acontecendo. Estava sem as mãos, me virando para trás para ver minha tia, e de repente senti um forte impacto no queixo e no joelho. Quando me dei conta da situação a primeira coisa que pensei foi: "Merda!". Não senti dor alguma. Tentei me levantar e vi que a bicicleta estava sobre mim, e que minhas pernas estavam praticamente entrelaçadas com a magrela. Fiquei lá caído de bruços. Minha tia se aproximou, um pouco querendo rir, um pouco preocupada. Eu fiquei lá por uns 30 segundos, e minha tia me olhando. Não fiz nem menção de me levantar, ou de me esforçar para tirar a bicicleta de cima. Se minha tia não tivesse tomado a iniciativa de me ajudar eu estaria lá até agora. Ela segurou a bicicleta e pude ouvir: "Levanta as pernas!". Eu obedeci. Obedeci pela metade. Consegui levantar só a perna esquerda. A outra ficou estirada. E minha tia levantou a bicicleta assim mesmo. Depois de já estar sem a bicicleta por cima de mim, ainda fiquei por mais alguns segundos sentindo o gostinho de acidentado no local do acidente.

Quando finalmente resolvi me levantar senti um incômodo no joelho direito, o qual eu havia apoiado na hora do tombo. Voltei meu olhar para ele, e constatei que havia me ferido. Estava bem ralado e sangrando. Não pude evitar de pensar: "Merda!". Mexi um pouco as pernas, balancei-as e não senti dor alguma. Somente sangrava. Estava ciente da ferida no joelho, quando senti algo escorrendo no queixo. Levei a mão até o local, e vi em minhas mãos mais sangue. Machuquei o queixo também. Virei-me para minha tia, que ainda estava um pouco assustada pela queda, quando viu meu joelho exclamou: "Vixe! Machucou o joelho!". Eu não pude evitar, concordei soltando outro "Merda!". Admirou um pouco aquele meu novo companheiro e reparou em meu queixo, exclamando: "Nossa! Machucou o queixo também". Não deu outra, respondi um punhado de "Merda!".

Nesse momento eu estava mais nervoso do que acidentando, só pensava em merda. E minha tia que mesmo assustada conseguia realmente pensar, sugeriu que eu tirasse a camiseta e a colocasse no queixo, para estancar o sangue. Fiz isso. Voltamos a pé, levando as bicicletas que antes nos levavam, e ainda fui ao Hospital das Clínicas aguardar mais de três horas para poder levar três pontinhos no queixo e fazer curativos no joelho.

Não foi bem assim que havia imaginado esse domingo, mas pelo menos aprendi algo. Aprendi que naquela rua próximo ao Jóquei Clube tem um buraco bem grande que deve ser lembrado num passeio ciclístico.


;-)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A Partir de Agora

(Dezembro de 1999)


A partir de agora, não chorarei mais,
Não serei mais aquela pessoa cega.
Não pensarei mais como um inocente.
Não sairei correndo atrás de trégua.

A partir de agora, não chorarei mais,

Por pessoas que são tudo para mim
E que não retornam o que sinto.
Me fazendo sofrer tanto assim.

A partir de agora, não chorarei mais,

Ensopando meu travesseiro amigo,
Que sem ter culpa, paga a conta,
E mesmo assim está sempre comigo.

A partir de agora, não chorarei mais,

Lembrando das feridas da vida,
Que já se curaram, mas deixaram cicatrizes,
Como furos de pregos em madeira polida.

A partir de agora, não chorarei mais,

Pelo que tanto lutei e não consegui,
Fazendo me sentir inferior aos outros,
Quando eles superiores nunca vi.

A partir de agora, não chorarei mais,

Pelo mocinho do filme que acaba sozinho,
Quando na realidade ele está com todos.
E eu com ninguém, largado em meu ninho.

A partir de agora, não chorarei mais,

Pela despedida que acaba voltando.
Pelos problemas que vejo todo dia.
Pela confusão de pensar estar amando.

A partir de agora, não chorarei mais,

Como choro agora pelo o que escrevo.
Pelo esforço de criar estas linhas,
Pensando que isso, a vocês eu devo.

A partir de agora, não chorarei mais,

Pela história daquele livro que comoveu,
Quando na verdade ela nunca existiu,
E quando junto com ela meu coração sofreu.

A partir de agora, apenas, não chorarei mais,

Porque não sentirei mais,
Não verei mais nada, não ouvirei,
Não farei mais nada, pensar jamais.

A partir de agora, não amarei mais.

Se acabar com tudo isso, nunca mais amarei,
E se conseguir nunca mais amar,
Com certeza, nunca mais chorarei.


:-(

Vivendo

(Maio de 1999)


Viver é preciso e ninguém negará
Que é difícil conseguir
Viver bem sem se deparar
Com socos que nos faz cair,
Com mágoas que nos faz chorar,
Com alegrias que nos faz sorrir,
Com belezas que nos faz amar.

A vida é para nós seres humanos,

Como um grande pequeno momento.
Usado apenas para desfrutar dos bens mundanos,
Antes de queimar no inferno ou brilhar no firmamento.

A vida, quase sempre, nos dá como escolha dois caminhos:

Um é o que nos leva por entre tristezas e sofrimentos.
E o outro pela força do amor, da alegria e do carinho.
A maioria de nós, passa pelos dois, passa a ter conhecimento.

Imagine uma criança: bela e sadia.

A mais pura expressão do amor que pode haver,
Pois sendo a alma da inocência, não demonstra ironia,
Não sabe o que é guerra, o que é morte, o que é sofrer.

Mas quando ela passar a conhecer as coisas do mundo,

Irá saber também, o que é dor no coração.
Irá sentir jorrar tristezas do seu íntimo mais profundo.
E só conseguirá vencer, se tiver a ajuda de um irmão.

Falar da vida, às vezes, pode ser muito compensador.

É uma forma de parar para pensar, e ver o que está errado.
Neste ponto, podemos corrigir nossos defeitos.
É um bom momento, para limpar nosso coração.
Mas é também a hora em que nos enchemos de amor,
Pois para vender na vida, é preciso amar e ser amado.
É preciso acabar por completo com todos preconceitos.
Assim, com certeza, viveremos todos em grande compaixão.

Precisamos todo dia, saber a quem estamos amando.

Precisamos todo dia, saber o que estamos vendo.
Precisamos todo dia, saber onde estamos andando.
Só pra termos uma certeza, a de que estamos vivendo.


;-)

Definidos os Destaques do 5º Fentepira

Os Destaques do 5º Fentepira (Festival Nacional de Teatro de Piracicaba) foram anunciados na tarde do último domingo, 28, no Teatro Municipal Dr. Losso Netto. A maratona teatral de nove dias teve a presença de dez grupos na mostra principal, vindos de São Paulo, Santo André, Ribeirão Preto, Sorocaba, Jacareí, Piracicaba, Curitiba, Joinville e Uberlândia. Duas companhias se destacaram: a Mungunzá, de São Paulo, e a Levante, de Sandro André.

Os Troféus-Destaque foram escolhidos por uma comissão debatedora, composta por especialistas em artes cênicas. São eles: o professor do Instituto de Artes da Unesp e doutor em História Social Alexandre Mate; a atriz, arte-educadora e produtora cultural Daniela Biancardi; e Moisés Miastkwosky, diretor de mais de 80 espetáculos teatrais e criador de vários festivais e mostras de teatro. Após a apresentação de cada espetáculo, a comissão se reuniu com as companhias teatrais e com o público para avaliar os aspectos técnicos das montagens, para apontar críticas e fazer sugestões.

Apresentado na quinta-feira, 25, o espetáculo Porque a Criança Cozinha na Polenta, do grupo paulistano Mungunzá, conquistou seis Destaques: Texto Adaptado e Encenação para Nelson Baskerville; Projeto de Iluminação para Wagner Freire; Intérprete para Sandra Modesto; e Espetáculo para Adultos pela Escolha da Comissão Debatedora. Pela direção e criação de partitura expressivo-corporal, Ondina Castilho ficou com o Destaque a Critério da Comissão Debatedora.

A Cia. Levante, de Santo André, que apresentou o espetáculo Bielski no domingo, 21, saiu com cinco Destaques: Texto Original para Antônio Rogério Toscano; Projeto Sonoro para Cristiano Meirelles; Elenco; e com os Destaques Espetáculo para Adultos pela escolha da comissão debatedora e pelo Voto Popular.

Além da Cia. Levante e do Grupo Mungunzá, os Destaques a Critério da Comissão Debatedora foram para o músico Maurício Toco, de Sorocaba, que acompanha o espetáculo O Resumo de Ana com a viola, e para o músico de Jacareí, Paulo Timbé, pelas intervenções dramático-musicais no monólogo Travessia.

Os troféus Destaques Intérprete também ficaram com Paulo Willians (Travessia); Eli André Corrêa (Resumo de Ana); Andréia Malena Rocha (Migrantes), e Renata Torraca (São Jorge e o Dragão).

Pela apresentação do infantil Histórias da Chuva – Gênese, o grupo paulistano Teatro da Gioconda levou os Destaques de Espetáculo para Crianças e adolescentes pela Escolha da Comissão Debatedora e pelo Voto Popular. Da trupe, o ator Daniel Infantini garantiu o Destaque para Projeto de Indumentária.

A comissão debatedora concedeu o Destaque para Projeto Cenográfico a Dino Bernardi, diretor da Cia. Cornucópia de Teatro e responsável pelo espetáculo São Jorge e o Dragão.

ANÁLISE – Para Alexandre Mate, várias proposições estéticas constituíram o Festival. Ele acredita que uma seleção dessa natureza descortina diferentes possibilidades de os produtores culturais entenderem os seus trabalhos.

Sobre o resultado, Mate faz suas considerações: “dois espetáculos foram excelência, tanto é que foram os mais contemplados. Ambos são espetáculos épicos, são teatro de grupos, de pessoas que estão juntas e dividem a criação do espetáculo como um todo. Ambos criaram os seus próprios textos. É uma tendência majoritária que tem se desenvolvido principalmente na cidade de São Paulo. Penso que essas duas obras caracterizam uma probabilidade interessante de uma proposta estético-teatral bastante significativa”.

Já Moisés Miastkwosky diz ter sentido um amadurecimento no Festival. Esta é a sua terceira participação em cinco anos, seja como membro da comissão de seleção ou na comissão debatedora. “O Fentepira é fundamental para Piracicaba e região. É importante para o fazer teatral e para a criação de novos grupos. É um alimento para as companhias participantes, pois a comissão debatedora veio para trazer uma visão mais técnica.”

Estreante em festivais, Daniela Biancardi diz acreditar no espaço do teatro como espaço de compartilhar saberes. Ela lembra que esta característica se fez presente diariamente, quando os atores se reuniam com os debatedores. “Esse Festival segue com a mesma consistência, beleza, tradição e o movimento natural da vida, como o rio de Piracicaba.”

Realizado desde 2006 pela Secretaria Municipal da Ação Cultural, o Fentepira é regulamentado pela lei 6072/2007. São apoiadores a Arcelor Mittal, o Clube Nipo Brasileiro de Piracicaba, a Unimed Cultura e o Centro de Comunicação Social da Prefeitura de Piracicaba. Há ainda as instituições parceiras: Apite! (Associação Piracicabana de Teatro), SP Escola de Teatro, Sesi, Sesc Piracicaba, Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), Tusp (Teatro da Universidade de São Paulo), Senac Piracicaba, NUC-Unimep (Núcleo Universitário de Cultura da Universidade Metodista de Piracicaba), Teatro Municipal Dr. Losso Netto, Secretaria Municipal da Educação e Ponto de Cultura Garapa.


A lista com os espetáculos indicados está disponível no blog fentepira.wordpress.com


;-)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

5º Fentepira agita cena teatral em Piracicaba

São 15 espetáculos teatrais e uma programação com bate papos, oficinas e palestras. E o que é melhor: tudo gratuito! Este é o 5º Fentepira (Festival Nacional de Teatro de Piracicaba). A abertura ocorre neste sábado, 20 de novembro, às 11h, na Praça José Bonifácio, com a peça O Santo Guerreiro e o Herói Desajustado, da Cia. São Jorge de Variedades.

A peça da Cia. São Jorge é uma releitura da tradicional história de Dom Quixote. A trupe busca despertar a reflexão sobre o sentido do herói nos dias de hoje na grande metrópole. Às 15h, o diretor do espetáculo, Rogério Tarifa, participa do debate O Teatro de Rua, aberto ao público, na Sala 2 do Teatro Municipal Dr. Losso Netto.

Ainda no sábado, às 20h, o Teatro Municipal recebe o Grupo Manto, de Sorocaba, com a peça Resumo de Ana, sobre a história de dois operários de vidas precárias e que são afetados pelo processo capitalista de industrialização.

No domingo, 21, às 11h, o Casarão do Turismo da Rua do Porto recebe Aconteceu no Brasil Enquanto o Ônibus Não Vem, do Grupo Arte da Comédia.

Também no domingo, às 16h, o Sesc Piracicaba sedia o bate papo O papel do artista nas discussões das políticas públicas da cultura, com o ator e diretor Celso Frateschi, diretor do Tusp (Teatro da Universidade de São Paulo).

Celso Frateschi


Esta edição teve 138 espetáculos inscritos, de grupos dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná, Ceará, Bahia, Minas Gerais e Distrito Federal. Dez grupos teatrais participam da mostra principal e concorrem a troféus-destaque em várias categorias. Há também dois troféus Voto Popular: destaque espetáculo adulto e destaque de espetáculo para crianças e adolescentes.

Após a apresentação de cada espetáculo, acontece um bate papo entre público, companhia teatral e comissão debatedora, este ano composta por Alexandre Mate, Daniela Biancardi e Moisés Miastkwosky.

Por que Criança Cozinha na Polenta


Demais paralelas 

Na segunda-feira, 22, é a vez de Dagoberto Feliz, Bete Dorgam e Esio Magalhães ministrar a palestra A Arte da Representação ou Como ser Verdadeiro Mentindo e Vice-versa, às 20h, no Salão Nobre do Colégio Piracicabano.

No sábado, 27, ocorre às 9h a Oficina de Playback, com o Grupo Dionísio de Teatro, no Colégio Piracicabano. E às 14h a Oficina de Butoh, com João Butoh, na Sala da Companhia Estável de Dança do Teatro. No mesmo dia foi programada uma sessão maldita, que tem início à meia-noite no Ponto de Cultura Garapa. Trata-se de Mostarda, protagonizada pelo ator Clóvis Torres.

A realização do Fentepira é da Secretaria Municipal da Ação Cultural. São apoiadores do 5º Fentepira a Arcelor Mittal e a Unimed Cultura. São instituições parceiras: Apite! (Associação Piracicabana de Teatro), SP Escola de Teatro, Sesi, Sesc Piracicaba, Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), Tusp (Teatro da Universidade de São Paulo), Senac Piracicaba, NUC-Unimep (Núcleo Universitário de Cultura da Universidade Metodista de Piracicaba), Teatro Municipal Dr. Losso Netto, Secretaria Municipal da Educação e Ponto de Cultura Garapa.



SERVIÇO 

5º Fentepira (Festival Nacional de Teatro de Piracicaba). De 20 a 28 de novembro. Mais informações: (19) 3433-4952, www.fentepira.com.br, www.fentepira.wordpress.com ou Twitter @fentepira. A entrada é gratuita.

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domingo, 14 de novembro de 2010

O Maior Festival de Música do Mundo

Esquete cômico escrito em 11 de abril de 2008 e apresentado em 26 de abril do mesmo ano no Pocket Show Maldito, no Teatro Wallace em Araraquara/SP.

"O Maior Festival de Música do Mundo de Todos os Tempos", mostra a grande final desse evento entre o mais famoso astro popstar americano e um mendigo brasileiro de origem desconhecida. Apresentado por César Sandoval, o apresentador mais famoso do mundo. Essa grande finalíssima é imperdível!

Download do texto:
O Maior Festival de Música do Mundo - Júnior Martinez.pdf

Vídeo da apresentação: youtu.be/rhqsQwjHiIY


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Projeto Vida

(13 de novembro de 2001)

Não resta nada a dizer se a lembrança daquele tempo já se foi. O tempo em que se podia ser diferente sem despertar a atenção. Os monstros que haviam eram tão importantes quanto os pais. Os brinquedos eram tão importantes quanto a comida. E quando não havia o brinquedo, havia a imaginação, que já não há. E se há, é fraca.

A fada que era sonho, o castelo faz de conta, sempre existiram. Os heróis eram tão fortes que nada os derrubava, nem o grito da mamãe. Papai era um deles. O maior de todos os heróis. Os monstros do quarto só saiam quando papai entrava. E podia-se dormir tranqüilo. Podia-se sonhar e ter o que era sonho. Os amigos que vieram, e que foram os primeiros, faziam parte destes sonhos. Tinham medo dos mesmos monstros. E eram salvos por seus heróis. Tudo era festa. Até a comida que se transformava em qualquer coisa: matéria-prima para inocente arte. Duplamente arte. Pois era um "arteiro" e era um artista.

Nos rabiscos via-se o mundo. Via-se o universo. Ou um simples sol. Um sol amarelo, um sol azul, um sol verde. Um sol de todas as cores. Uma casinha, uma árvore, talvez algumas flores em volta da casa. E isso era tudo o que se desejava ter no futuro. Não se pensava em ter dinheiro. Tampouco ser o melhor. E muito menos fazer o mal. Só se pensava em ter uma casinha, perto de uma árvore, com algumas flores, onde o sol fosse bem visível. Um pequeno grande projeto de vida ainda no papel.

Mas o tempo não fica parado. Anda devagar, mas sempre anda. E esse projeto foi esquecido. Outros vão tomando seu lugar. Projetos dos mais variados tipos, fins, gêneros, causas e desvantagens. Projetos mais caros, mais devastadores, mais ambiciosos, menos importantes. A criança agora é homem, luta por dinheiro, por amor, por felicidade. Sem saber que a felicidade não é motivo de luta. Já a tem quem se contenta com a vida que tem. Mas esse homem não mais brinca, não mais sonha, nem o medo dos monstros existe. E esse medo que sumiu faz falta. Pois agora o homem se acha valente, o melhor, invencível. Cria guerras, destrói a natureza, mata o próprio irmão. Acaba com a própria vida. Faz todo o possível para não perder poder. E que poder é esse? Mais valioso que a vida. Que poder é esse? Onde não se pode ser humano. Com esse poder não se pode viver.

O homem cometeu tantos erros, que nem se lembra quais foram. Fez tanto mal, que nem sabe mais o que é bem. E aquele projeto de anos atrás já nem existe. Ficou no papel. E é apenas disso que o homem precisa. Uma casinha, com algumas flores, uma árvore e um sol para brilhar. É somente isso, algo tão simples para o homem ter uma vida, realmente vida. Mas ele não enxerga. E o que faz é cometer mais erros, fazer mais mal. Talvez enxergará quando não poder mais viver. Quando sua vida virar morte poderá ver o lastimável erro que cometeu. Quando lutou, matou e destruiu tudo o que podia para realizar projetos desumanos. Só era preciso ser humano, fazer o que estava no papel de criança, realizar o projeto vida.


"Quando o homem voltar a ser criança, o mundo voltará a ser paraíso"
 
 
;-)
 

Já Estava na Hora

(Maio de 1999)

Na certeza de estar amando, você pode estar errado.
Os sentimentos quando fluem, vêm com aparências enganosas.
Nesses momentos você só pensa em por Ela ser amado.
E, às vezes, toma atitudes impensadas que podem ser perigosas.

Não há como provar que o que você sente é realmente amor.
Muitos o confundem com um "gostar um pouco mais forte".
Uma atração, que se interpretada mal, traz muita dor.
No meu caso, cheguei a pensar em morte.

O meu "amor" não foi correspondido.
A minha certeza era de que eu estava apaixonado.
De todas as formas eu tentei fazer com que fosse ouvido.
Mas ela não me ouviu, e me deixou muito machucado.

Há muito tempo eu não sei como é dormir tranqüilo.
Já estou cansado daquele meu travesseiro molhado.
Cansado de à noite parecer um velho pensativo, preso num asilo.
E de me encharcar com o choro que o coração me traz, ainda acordado.

O pior é que tudo isso, para mim, não tem mais fundamento.
A certeza de amá-la só agora foi embora.
Dúvidas e mais dúvidas rondam meu pensamento.
Devo sofrer menos... Já estava na hora...

:)

Paixão e Morte

(Março de 1999)

Estou apaixonado, e muito.
O amor é tanto que já me sufoca.
Faz meu coração agir por livre intuito.
Me deixa cego, surdo, mudo, me afoga.

É um sentimento sem fim,
Que vai tomando conta de mim.
Me incendeia de Ágape puro,
Me faz brilhar em pleno escuro.

Os sonhos com Ela já são constantes,
E a cada sonho mais amor eu tenho.
Me sinto em meio a negros amantes,
Escravizados no antigo engenho.

Temo morrer por isso.
Se morrer quero ser lembrado
Como um jovem apaixonado,
Que ignorou o mais caro ouro maciço,
Para poder ter ao seu lado
A pessoa com quem havia sonhado.

E quero que escrevam em minha sepultura:
“Apesar de ter vivido um guerra não vencida,
Ele morreu ignorando as amarguras,
Sendo um poeta, apaixonado, e amando a vida”.

:)
 

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Culpado

(Março de 1999)

Me culpo por sofrer,
Me culpo por chorar,
Me culpo pelas noites em luar,
Me culpo por problemas não resolver.

Me culpo pela força da morte,
Me culpo pelo fogo que mata,
Me culpo pela vida ingrata,
Me culpo por não ser tão forte.

Me culpo pela morte alheia,
Me culpo por minha triste solidão,
Me culpo pela dor no coração,
Me culpo pelas lágrimas na areia.

Me culpo por tudo e por todos,
Me culpo pela caça perdida,
Me culpo pela razão esquecida,
Me culpo pelo uivo falso do lobo.

Me culpo pelo desejo de me matar,
Me culpo por você não me querer,
Me culpo por não conseguir te esquecer,
Só não me culpo, por eternamente te amar.

:)

Antes da Peça

Soa o terceiro toque. Sinal de que a peça vai começar. O público está quase todo acomodado e as luzes da platéia vão se apagando lentamente. Lá atrás das cortinas, na coxia, Lucas espera o seu momento sagrado de entrar em cena. Sagrado. Para ele o único motivo de estar vivo, era o de poder fazer teatro. E ele o fazia bem. Aquele momento, aqueles segundos anteriores ao início da peça Lucas conhece, e gosta. A primeira exposição ao público, numa peça, é sempre a mais importante. Na primeira exposição de um personagem o público já define se gosta dele ou não. E Lucas sempre começa a peça com todo seu calor, sua força. Não que no decorrer do espetáculo ele perca essa força, esse calor. Ele faz, maravilhosamente, uma apresentação linear, ou seja, da forma que começa ele termina. Parece que ele tem toda sua energia calculada para não terminar a peça com menos disposição de quando começou.
 
Nesses segundos anteriores ao começo da peça, Lucas pensa em tudo isso. E pensa ainda na platéia. Hoje o público vai ser grande, a bilheteria é livre. Hoje em dia só se lota uma platéia quando a bilheteria é livre ou quando o elenco é composto por artistas famosos de televisão. Lucas pensa na platéia. Pensa que dali pode não conhecer ninguém. Ele não sabe quem vai assisti-lo nessa noite. Ele nunca sabe. Mas ele lamenta, e sempre lamenta quando está para entrar em cena. Lamenta, pois naquela platéia, e em todas as platéias que já o assistiram, nunca em nenhuma delas esteve sentada a pessoa que ele ama. E lamenta mais, porque não existe essa pessoa. Até pode existir. Mas ele não conhece. E essa pessoa deixa um vazio enorme na vida de Lucas. Ele pensa que se esta pessoa estivesse ali, na platéia, sua apresentação seria bem melhor. Já é boa. Ele sempre é elogiado, por quem entende e quem só assiste. Mas esse pensamento, de que sua apresentação seria melhor, se sua amada, sua companheira, estivesse na platéia, permanece em sua mente.
 
Desde que abandonou sua última namorada, para vir para a capital fazer teatro, já se passaram um ano e cinco meses. Ele não se arrepende. Mesmo gostando muito da garota (não era amor!), ele resolveu vir para a capital. E não se arrepende. Lá onde morava, no interior, Lucas não poderia seguir sua carreira artística. Embora ele tivesse um bom emprego, uma namorada que o amava, e a promessa da mãe de lhe pagar a faculdade ali por perto, Lucas não estava satisfeito. Desde que tivera a primeira experiência no teatro há poucos anos, aqui mesmo na capital, Lucas não era a mesma pessoa. Na época estava com quinze anos e morava aqui com seu pai e sua avó. Seus pais eram divorciados, por isso não moravam juntos. Sua mãe morava no interior, e já era casada novamente quando Lucas veio para a capital. Ficou apenas um ano aqui, mas foi o suficiente para conhecer a arte do Teatro e para se apaixonar por ela. Durante seis meses ele participou de uma oficina, e descobriu sua vocação. Mas ao findar o ano, problemas de família o levaram a voltar morar com sua mãe. E deixar o teatro. No interior não tinha teatro, grupos, nem cursos. Teatro ali era uma coisa que pouca gente conhecia. Lucas ficou dois anos sem subir novamente num palco. Mas ele sabia que era isso que ele queria. Subir num palco. Fazer teatro. Então decidiu voltar para a capital, e levar a frente sua carreira artística. Demitiu-se do emprego de professor de informática, saiu da escola que estudava e conversou muito com sua namorada. Ele já havia pensado em casamento, mas o teatro o chamava. Eles sabiam que a distância, que não era pequena, não permitiria o continuar do relacionamento. Terminaram o namoro. E Lucas voltou para a capital. Fez novos cursos e menos de um ano depois de voltar, no ano de dois mil formou seu grupo de teatro. E há um ano e cinco meses ele estava fazendo teatro. Há um ano e cinco meses estava sentindo falta de uma companheira, seu coração pedia alguém para amar, além do palco.
 
Nesses poucos segundos antes de começar a peça Lucas voltou no tempo e viu o motivo de estar ali agora, prestes a entrar em cena. Viu toda a trajetória que o teatro o fez seguir. Ele pensava muito profundamente nisso, e por um momento até esquecera que iria apresentar uma peça. Lucas desperta desse transe com as cortinas se abrindo, as luzes do palco se acendendo e a platéia silenciando. Começou o espetáculo. Muita merda para nós!


- 11 de junho de 2001.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Solidão

O coração bateu forte, disparado. O susto foi grande. O barulho da vassoura que caiu no chão deu cabo a imaginação. Naquele segundo ele pensou que fosse tudo, menos a vassoura. Podia ser um ladrão querendo entrar na casa; ou um ladrão que já entrara, e que iria o atacar; um fantasma? Não. Ele não crê em fantasmas. Mas nos momentos de medo tudo é possível. Até ele constatar que o barulho fora provocado pela vassoura que caíra no chão, já havia imaginado de tudo.

Mas por que? Será ele um medroso? Um borra-botas? Não, caro amigo. O caso aqui, é que nosso colega estava só. Sozinho em sua casa. E a vontade de ter alguém lhe fazendo companhia era enorme. Tanta que uma simples vassoura barulhenta despertou-lhe a imaginação, que mostrava a presença de alguém para lhe dar companhia. E que podia ser até mesmo um ladrão. São coisas da solidão.

Esse nosso colega, que aqui vem comentado, passa por sérios problemas de solidão. Ele conhece pessoas, tem amigos, fala com muita gente... Mas nos momentos pessoais, íntimos, nos momentos caseiros, nos momentos que ele mais precisa de alguém, sempre está só. A solidão se caracteriza pela falta de pessoas ou de uma pessoa ao nosso lado. E a solidão desse nosso colega, não acabará com qualquer companhia. A solidão dele é a falta de uma pessoa em especial. É a falta de uma companheira, um amor, uma paixão. É a falta de alguém que o ame, e que lhe permita amar. É essa solidão que nosso colega vive.

Quem já não passou por essa solidão? Quando você mais precisa de alguém que lhe faça companhia, que lhe dê carinho, abraços, beijos, que te escute e saiba dizer palavras consoladoras, que te lembre nos momentos mais difíceis que há alguém que te ama... Mas esse alguém não está a seu lado. Você já deve ter tido essa experiência. E como foi? Não deve ter sido muito boa, né? Ninguém gosta. Bom, pelo menos não conheço ninguém que tenha bons comentários a respeito dessa experiência.

Essa é a solidão do coração. Do amor. Na linguagem popular, para os homens é a falta de mulher, para as mulheres é a falta de homem. Quase sempre é uma solidão passageira, logo se encontra a pessoa que resolve o problema. Mas há casos que parecem ser eternos, casos de solidão que já duram muito tempo e que não dão sinal ter um fim. Para quem passa por isso, desculpe-me, mas, aqui não se encontra a solução. Nosso colega, que há pouco eu comentava, passa por isso. E a solução parece ser muito remota. Mas tranqüilize-se, se nosso colega encontrar a solução, eu compartilho com você numa próxima oportunidade. Se bem que, se a solução de nosso colega vier a ser encontrada, não escreverei sobre ele, mas sim sobre mim.

Bom... Enquanto isso não acontece com ele, com você, e com todos os outros, vamos tentar suavizar esta solidão. Cada um de seu jeito. Alguns vêem pessoas em tudo, até mesmo em vassouras que caem; outros lêem crônicas e estórias de solitários para buscar a solução do problema; e, por fim, há uns poucos que escrevem sobre o assunto... 


- 02 de abril de 2001.